O que é FMEA

FMEA (Failure Mode and Effects Analysis) é uma metodologia estruturada para identificar e prevenir falhas potenciais em produtos ou processos. Ela analisa modos de falha, suas causas e efeitos, permitindo a adoção de ações corretivas e preventivas antes que os problemas ocorram.

Breve histórico do FMEA

O FMEA surgiu na década de 1940, inicialmente utilizado pelo exército dos EUA para aumentar a confiabilidade de sistemas militares. Na década de 1960, foi adotado pela NASA. Posteriormente, ganhou espaço na indústria automotiva e manufatureira como ferramenta essencial na gestão da qualidade e mitigação de riscos.

O que é risco?

O gerenciamento de risco está alinhado com o planejamento estratégico da empresa e com o quanto esta empresa quer estar exposta ao risco.
Cabe citar que, no gerenciamento de risco, devemos pensar e determinar as ações que iremos tomar diante de um risco.
A aceitação do risco está ligada à aceitação dos impactos de cada um deles.

Objetivos do gerenciamento de riscos

  • Aumento do sucesso no atingimento dos objetivos
  • Priorização no suporte e implementação de ações mitigadoras
  • Redução de perdas financeiras e materiais resultantes da concretização dos riscos
  • Incorporação da filosofia do custo x benefício e adoção de soluções preventivas

Propósito e descrição

O método FMEA é usado para abordar os aspectos de mitigação de riscos.
É um método analítico, qualitativo, sistemático, orientado para equipe com a intenção de:

  • Analisar os riscos técnicos potenciais de falha de um produto ou processo
  • Analisar as causas e os efeitos dessas falhas
  • Documentar ações de prevenção e de detecção
  • Recomendar ações para reduzir o risco

Os riscos pertinentes ao negócio são: técnicos, financeiros, relacionados a prazos e estratégicos.
O FMEA trata de riscos técnicos, para reduzir falhas e melhorar a segurança nos produtos e processos.

O objetivo do FMEA é estudar os modos de falha e suas causas para produtos e processos, analisando assim suas funções e etapas e agir, verificando se as medidas de contenção de riscos estão adequadas, se são suficientes e propor melhorias, se necessário.

Limitações do FMEA

  • É qualitativo (subjetivo), não quantitativo (mensurável)
  • É uma análise de falha de ponto único, não analisa falha multiponto (várias causas combinadas)
  • Depende do nível de conhecimento da equipe, tanto para propor medidas de contenção de riscos quanto para o preenchimento do documento FMEA

O FMEA deve ser parte integrante do desenvolvimento de produtos e de processos.

Considerações do FMEA

O desempenho do FMEA e a implementação de seus resultados são de responsabilidade das empresas que projetam, fabricam e/ou montam produtos para a indústria automotiva.

Proteção do Know-how do FMEA de projetos e de processos
O compartilhamento do know-how envolvido no FMEA deve ser citado em contratos para proteger o conteúdo intelectual envolvido neste tipo de documento.

FMEA padrão e FMEA família

FMEAs padrão são genéricos, de referência, contêm informações de desenvolvimentos anteriores e servem como consulta para as lições aprendidas. Por não serem específicos, generalizações são permitidas.
FMEAs de família são especializados. São utilizados para um grupo de produtos que possuem aplicações e características semelhantes. O mesmo se entende por família de processos.

De forma geral, ambos devem ser analisados para elaboração de um novo FMEA. Assim, pode-se verificar possíveis semelhanças e diferenças e então determinar a execução de um novo FMEA, seja ele padrão ou de família.

Existem 3 casos básicos em que o FMEA deve ser aplicado:

  • Novo projeto, processo ou nova tecnologia
  • Nova aplicação de projeto ou processo existente: aplica-se a situações em que um produto ou processo existente será utilizado em um local diferente, por exemplo, devendo focar nos riscos que o novo ambiente traz para aquele produto ou processo
  • Alterações de engenharia em um produto ou processo existente: aplica-se para várias situações, como mudanças no projeto ou processo, mudanças nas condições de operação etc.

As duas principais abordagens para o FMEA:

  • Análise de acordo com as funções do produto
  • Análise de acordo com as etapas do processo

FMEA de processos

Aplica-se para análise de falhas potenciais em processos. É importante para determinar as principais ações de mitigação de falhas antes mesmo de o processo se iniciar, definindo quais ações de contenção serão priorizadas.

Os 5 T’s

  • FMEA Intent (intenção): Por que estamos fazendo?
  • FMEA Timing (prazo): Quando deve ser entregue?
  • FMEA Team (equipe): Quem precisa estar na equipe?
  • FMEA Task (tarefas): Qual trabalho precisa ser feito?
  • FMEA Tool (ferramentas): Como realizamos a análise?

O FMEA deve ser realizado nas fases iniciais de desenvolvimento do produto/projeto, sendo útil inclusive para inclusão de requisitos e características.
A equipe do FMEA deve ser multidisciplinar para que todos — ou ao menos o máximo de aspectos — possam ser considerados.

Os sete passos de implementação do FMEA

Análise do sistema

  1. Planejamento e preparação: Identificação do projeto
  2. Análise de estrutura: Visualização do escopo da análise
  3. Análise de função: Visualização das funções

Análise de falha e mitigação do risco
4. Análise de falha: Estabelecimento da cadeia de falhas
5. Análise de risco: Atribuição dos controles existentes e/ou planejados e pontuação da falha
6. Otimização: Identificação das ações necessárias para reduzir riscos

Comunicação do risco
7. Documentação dos resultados: Comunicação dos resultados e conclusões das análises

Medindo o desempenho do FMEA

O desenvolvimento do FMEA é uma análise aprofundada do potencial de falhas internas e externas.
Como tal, seu desempenho pode ser medido de algumas formas.
Uma delas é medindo o Custo da Má Qualidade (COPQ), além da análise da performance da empresa de um modo geral também ser um indicador da eficácia do FMEA.

Custo da Qualidade (COQ)

  • Custo das falhas externas: custos que ocorrem fora das dependências da empresa. Ex.: falha em atender um requisito na planta do cliente. Entra no COPQ.
  • Custo das falhas internas: falhas que ocorrem dentro da corporação. Ex.: falhas de processos, custo de ajuste do material, reteste.
  • Custo de avaliação: inclui testes para verificação de parâmetros do material.
  • Custo de prevenção: qualquer custo de prevenção de falhas. Ações determinadas pela equipe do FMEA entram nesse escopo.

A relação entre FMEA, COQ e COPQ é direta. O FMEA deve contribuir para a melhoria desses indicadores, que por sua vez demonstram a eficiência do FMEA.

A melhor forma de mostrar seu trabalho é através do impacto no caixa da empresa.

Existem critérios para avaliação de risco:

  • Severidade: grau do impacto do efeito da falha
  • Ocorrência: probabilidade de ocorrência da causa da falha
  • Detecção: capacidade de detectar a causa ou o modo de falha que ocorreu

Recomenda-se que o plano do PFMEA siga o modelo dos 5 T’s.
Recomenda-se também o uso de um PFMEA padrão para auxiliar no plano e execução do projeto.
Pode-se ainda usar um PFMEA de família ou de produto similar.

Ao utilizar PFMEAs padrão como apoio, a empresa se beneficiará das lições aprendidas, considerando falhas passadas e economizando tempo na execução do novo projeto, pois terá uma fonte robusta de informações.